{"id":141147,"date":"2023-03-13T11:42:24","date_gmt":"2023-03-13T14:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/portalv1.com.br\/?p=141147"},"modified":"2023-03-13T15:57:59","modified_gmt":"2023-03-13T18:57:59","slug":"combate-sangrento-no-piaui-ajudou-a-consolidar-independencia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalv1.com.br\/combate-sangrento-no-piaui-ajudou-a-consolidar-independencia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Combate sangrento no Piau\u00ed ajudou a consolidar Independ\u00eancia do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Um dos epis\u00f3dios mais importantes para a consolida\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia do Brasil e manuten\u00e7\u00e3o da unidade nacional aconteceu nas margens de um rio. N\u00e3o foi o Ipiranga, e suas margens n\u00e3o estavam pl\u00e1cidas no dia 13 de mar\u00e7o de 1823.<\/p>\n<p>O entorno do rio Jenipapo, curso de \u00e1gua que corta as plan\u00edcies de Campo Maior, interior do Piau\u00ed, foi palco de uma das lutas mais sangrentas do per\u00edodo da Independ\u00eancia, opondo brasileiros e portugueses no campo de batalha.<\/p>\n<p>De um lado, estava um Ex\u00e9rcito organizado e bem armado de portugueses que tentavam manter o dom\u00ednio de Portugal nas prov\u00edncias do Norte do Brasil. Do outro, mil\u00edcias brasileiras organizadas \u00e0s pressas que lutaram com facas, foices, machados e um canh\u00e3o enferrujado.<\/p>\n<p>Com vit\u00f3ria dos portugueses, a Batalha do Jenipapo deixou um saldo de centenas de brasileiros mortos, mas representou um rev\u00e9s para a resist\u00eancia de Portugal, que tentava manter o dom\u00ednio das prov\u00edncias do Norte brasileiro ap\u00f3s o grito de dom Pedro nas margens do Ipiranga.<\/p>\n<p>O embate no Piau\u00ed aconteceu em meio a uma escalada de animosidades entre os portugueses e brasileiros que vinha desde antes da Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>As Cortes Gerais e Extraordin\u00e1rias da Na\u00e7\u00e3o Portuguesa, que exigiam o retorno do Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia de Portugal e a retomada das restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio suspensas com a abertura dos portos, nomearam militares portugueses como novos governadores de armas das prov\u00edncias brasileiras.<\/p>\n<p>No Piau\u00ed, o escolhido como governador de armas foi o major portugu\u00eas Jo\u00e3o Jos\u00e9 da Cunha Fidi\u00e9. Ele desembarcou na prov\u00edncia em agosto de 1822 com a miss\u00e3o de mant\u00ea-la sob dom\u00ednio portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A prov\u00edncia era considerada estrat\u00e9gica por ser uma esp\u00e9cie de porta de entrada para as prov\u00edncias do Norte, especialmente Maranh\u00e3o e Gr\u00e3o-Par\u00e1, onde os portugueses tinham prest\u00edgio dentre as elites locais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m havia uma import\u00e2ncia econ\u00f4mica: nesta \u00e9poca, o Piau\u00ed tinha uma pecu\u00e1ria pujante, com um dos maiores rebanhos de bovinos do pa\u00eds, e era um dos principais fornecedores de carne seca do Norte e Centro-oeste, sendo suplantado apenas pelo charque do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia, contudo, movimentou as elites do Piau\u00ed, que declararam apoio ao Brasil independente da coroa portuguesa. A not\u00edcia chegou primeiro na vila de Parna\u00edba, onde predominava o grupo pol\u00edtico liderado pelo comerciante Simpl\u00edcio Dias, que anunciou apoio a dom Pedro.<\/p>\n<p>A ades\u00e3o de Parna\u00edba ao Brasil independente motivou uma marcha liderada por Jo\u00e3o Jos\u00e9 da Cunha Fidi\u00e9, que levou tropas \u00e0 vila para sufocar o movimento de apoio a dom Pedro.<\/p>\n<p>A marcha para o litoral, contudo, desguarneceu a vila de Oeiras, ent\u00e3o capital da prov\u00edncia. Foi justamente neste momento que o brigadeiro Manoel de Souza Martins, que representava a elite econ\u00f4mica ligada \u00e0 pecu\u00e1ria e havia sido alijado pelas Cortes de Lisboa, tamb\u00e9m declarou apoio \u00e0 Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando as tropas lideradas por Cunha Fidi\u00e9 chegaram \u00e0 Parna\u00edba, os apoiadores da Independ\u00eancia haviam fugido para o Cear\u00e1, onde organizaram uma mil\u00edcia para enfrentar os portugueses.<\/p>\n<p>Os desencontros tiveram fim no dia 13 de mar\u00e7o de 1823, quando brasileiros e portugueses se encontraram na vila de Campo Maior, hoje uma cidade de 47 mil habitantes a 80 km de Teresina.<\/p>\n<p>As margens do rio Jenipapo foram palco de uma batalha desigual. Foram cerca de 1.600 soldados das tropas portuguesas, armadas com 11 canh\u00f5es e lideradas por oficiais experientes.<\/p>\n<p>Do outro lado, estava uma mil\u00edcia prec\u00e1ria, formada \u00e0s pressas, com cerca de 2.000 homens do Piau\u00ed e Cear\u00e1. Em sua maioria, eram vaqueiros e trabalhadores rurais, arregimentados por l\u00edderes pol\u00edticos locais, al\u00e9m de ind\u00edgenas e negros libertos.<br \/>\nA Batalha do Jenipapo durou cinco horas: come\u00e7ou por volta de 9h e seguiu at\u00e9 as 14h, deixando um saldo de 36 mortos do lado portugu\u00eas e entre 200 e 400 mortos nas tropas brasileiras.<\/p>\n<p>&#8220;A batalha foi tr\u00e1gica, foi uma derrota para os independentistas. Mas foi uma tamb\u00e9m &#8216;vit\u00f3ria de Pirro&#8217; para os portugueses, que tiveram perdas em sua log\u00edstica&#8221;, avalia o historiador Johny Santana de Ara\u00fajo, professor da Universidade Federal do Piau\u00ed.<\/p>\n<p>Ele afirma que a batalha minou a log\u00edstica da tropa portuguesa, que optou por n\u00e3o perseguir e sufocar os soldados independentistas. A ideia era reagrupar for\u00e7as e voltar a Oeiras para derrubar os aliados de dom Pedro na capital.<\/p>\n<p>O Ex\u00e9rcito ficou acampado na fazenda Tombador, seguiu para a vila do Estanhado e depois seguiu para Caxias, no Maranh\u00e3o, onde houve um princ\u00edpio de rebeli\u00e3o entre soldados portugueses.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os independentistas da capital organizavam suas tropas e recebiam refor\u00e7os do Cear\u00e1, Pernambuco e Bahia, chegando a perto de 22 mil soldados arregimentados.<\/p>\n<p>O refor\u00e7o tamb\u00e9m veio pelo mar. Depois de expulsar os portugueses da Bahia, escorra\u00e7ando o Ex\u00e9rcito liderado por Madeira de Melo, a esquadra do almirante escoc\u00eas Thomas Cochrane desembarcou em S\u00e3o Lu\u00eds e fez com que a junta governativa, sob a mira de canh\u00f5es, jurasse lealdade a dom Pedro.<\/p>\n<p>Para Ara\u00fajo, a Batalha do Jenipapo foi fundamental para garantir a unidade nacional e tamb\u00e9m foi importante para forjar no estado um sentimento de piauiensidade. Ainda assim, permaneceu como um epis\u00f3dio obscuro na historiografia brasileira, sendo pouco conhecido fora do Piau\u00ed.<\/p>\n<p>&#8220;A Batalha do Jenipapo \u00e9 um evento muito importante na hist\u00f3ria do Brasil, mas \u00e9 esquecido, como todo o contexto do processo de Independ\u00eancia ocorrido no Norte. Isso muito por conta da forma como a historiografia oficial tentou amansar a ideia de que houve conflito&#8221;, avalia Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Nesta segunda-feira (13), os 200 anos da Batalha do Jenipapo ser\u00e3o celebrados em Campo Maior, no Piau\u00ed. A cidade abriga um monumento, um museu e um cemit\u00e9rio nas margens do rio.<\/p>\n<p>Neste campo santo despido de adornos e mausol\u00e9us, est\u00e3o enterrados os restos mortais dos brasileiros an\u00f4nimos que morreram em batalha, cercados por pedras e cruzes de madeira. O cemit\u00e9rio do Batalh\u00e3o \u00e9 considerado patrim\u00f4nio nacional e foi tombado em 1990.<\/p>\n<p><span class=\"by\">JO\u00c3O PEDRO PITOMBO SALVADOR, BA (FOLHAPRESS)<\/span>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos epis\u00f3dios mais importantes para a consolida\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia do Brasil e manuten\u00e7\u00e3o da unidade nacional aconteceu nas margens de um rio. 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