Valença do Piauí, 11 de abr, 2026

Ministro Wellington Dias anuncia ajuste no Gás do Povo

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, anunciou nesta sexta-feira (10) um ajuste no programa Gás do Povo, com a garantia de recursos para manter o benefício e ampliar a rede de distribuição. A medida ocorre em um momento de pressão sobre o mercado de gás de cozinha no Piauí, com alerta do setor sobre dificuldades de abastecimento e aumento de preços.

Ontem a Petrobras aprovou a neutralização dos efeitos de preços do leilão de GLP realizado no fim de março, com devolução aos clientes da diferença entre os valores praticados e o Preço de Paridade de Importação definido pela ANP. A decisão considera o cenário internacional pressionado pelo conflito no Oriente Médio e prevê ainda a possibilidade de ressarcimento adicional caso a estatal confirme adesão ao programa federal de subvenção ao gás, mantendo a garantia de entrega dos volumes contratados e a segurança do abastecimento.

Durante o anúncio, o ministro afirmou que o governo federal assegurou os recursos necessários para manter o programa e reforçou que a política busca reduzir o impacto do custo do gás no orçamento das famílias de baixa renda.

“Primeiro, não faltará recursos, estamos com os recursos garantidos para o pagamento do valor necessário para o gás do povo e, é claro, o Piauí, mais que qualquer outro estado, se organizando para isso. O fato é que nós tivemos, como tivemos no combustível, um momento de especulação. O presidente adotou medidas para garantir o preço adequado, que não é só para quem recebe o gás pelo gás do povo, é a proteção para todas as pessoas que usa o gás de consumo. Garantir que a gente tenha aqui um preço adequado”, afirmou.

O ministro também destacou que houve alinhamento com a Petrobras para ajustar valores e reduzir distorções no mercado, além de reforçar a ampliação da distribuição do produto em regiões mais distantes.

“Então ainda ontem com a Petrobras foi ajustado esse valor. E é claro, estamos trabalhando para garantir uma rede de distribuição cada vez maior, ou seja, garantir que lá naquela pequena cidade, naquele povoado, naquela comunidade, a gente possa ter um ponto de distribuição do gás. O gás do povo, junto com farmácia popular, com a tarifa social de energia, juntamente com o Minha Casa Minha Vida, que tira a pessoa do aluguel, ela é uma alternativa, não é? Complementar. Veja que, de um lado, tirar da fome, não é? Depois, fazer com que essa pessoa possa sair da miséria, sair da pobreza e ainda garantir que ela possa crescer”, completou.

O ajuste do programa ocorre em meio a críticas do setor de revenda de gás no estado. O Sindicato dos Revendedores de Gás do Piauí (Sindirgas) alertou para o risco de desabastecimento em Teresina, provocado por dificuldades logísticas no fornecimento do produto, que atualmente é trazido de estados como Ceará e Bahia.

Segundo o sindicato, o preço do botijão de 13 quilos na capital varia entre R$ 130,00 e R$ 140,00, considerado o maior aumento dos últimos dois anos. A entidade também aponta que o valor pago às revendedoras dentro do programa federal não cobre o custo de aquisição do produto junto às distribuidoras, o que pode comprometer a execução da política pública.

Atualmente, o botijão destinado aos beneficiários do Gás do Povo é repassado por cerca de R$ 102,60, enquanto o custo de compra pelas revendedoras ultrapassa R$ 105,00, gerando prejuízo na operação.

Diante desse cenário, o ajuste anunciado pelo governo busca recompor os valores do programa e garantir sua continuidade, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar a cadeia de abastecimento e reduzir o impacto do preço do gás para consumidores e beneficiários.

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