Direita também questiona pesquisa Veritá após novo erro na divulgação no Piauí
A pesquisa do Instituto Veritá, divulgada no contexto político ligado ao senador Ciro Nogueira, que passou a circular no Piauí, voltou ao centro da polêmica e agora enfrenta questionamentos dentro do próprio campo da direita política. O motivo mais recente foi a denúncia feita pelo pré-candidato ao Governo do Estado, Toni Rodrigues (PL), que afirma ter sido alvo de um erro grave na divulgação do levantamento.
Segundo Toni, a pesquisa utilizou a imagem de outra pessoa em seu lugar. A foto exibida seria a do deputado federal Antônio Carlos Rodrigues, ex-ministro do governo Dilma Rousseff, sem qualquer ligação com sua trajetória política. Jornalista, radialista, escritor e apresentado como político independente, Toni afirmou que solicitou a correção ao instituto, mas, até o momento, a mudança não foi realizada.
Para Toni Rodrigues, o episódio levanta dúvidas sobre a credibilidade do levantamento e reforça a suspeita de tentativa de confundir o eleitorado. “Sou uma voz de contestação e de proposta. Por que querem me cancelar?”, declarou o pré-candidato ao Governo do Piauí ao portal BR Hoje.
A nova controvérsia amplia o desgaste em torno da pesquisa Veritá, especialmente por ter sido vinculada politicamente a um dos principais atores do cenário eleitoral, o que elevou o nível de questionamento sobre sua neutralidade. Adversários e até setores da própria direita passaram a apontar o que consideram falhas graves no material divulgado, tanto na apresentação visual quanto na formulação e avaliação do questionário.
A repercussão é de que os erros não podem ser tratados como detalhes secundários, sobretudo em um cenário de pré-campanha, no qual pesquisas influenciam a percepção pública, o ambiente político e a narrativa eleitoral. Críticos do levantamento sustentam que, ao reunir questionamentos judiciais, impugnações e, agora, mais um erro grosseiro de identificação, a pesquisa perde força como retrato confiável do momento político.
Além do episódio no Piauí, o Instituto Veritá já foi alvo de questionamentos em outros estados, especialmente durante as eleições de 2022. Em Minas Gerais, por exemplo, levantamentos do instituto para o governo e o Senado foram criticados por apresentarem diferenças relevantes em relação a outros institutos e ao resultado final das urnas, o que levou analistas a apontarem possíveis falhas de calibragem amostral. Na Bahia, pesquisas também foram contestadas por adversários políticos, que questionaram a metodologia e a formulação dos cenários apresentados aos entrevistados. Já em São Paulo, houve críticas públicas sobre divergências entre os números divulgados e a média consolidada de outros institutos, além de pedidos de maior transparência nos critérios técnicos.