Valença do Piauí, 23 de fev, 2026

Influenciador Hytalo Santos e marido são condenados por exploração de menores

O influenciador Hytalo Santos e o marido, Israel Vicente, foram condenados pelo Tribunal de Justiça da Paraíba por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. A decisão, proferida no sábado (21), foi confirmada pela defesa dos réus na noite de domingo (22).

No despacho, o juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na Grande João Pessoa, afirma que a investigação confirmou que a dupla explorava a imagem dos menores para conquistar engajamento e monetização nas redes sociais. Os conteúdos, segundo ele, eram criados num contexto adulto e em situações consideradas de risco extremo.

Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão, enquanto Israel recebeu sentença de 8 anos e 10 meses de prisão. Em nota, a defesa dos réus afirmou que irá recorrer da pena e que adotará medidas junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar a decisão dos magistrados, pelo o que consideram “utilização de expressões de cunho preconceituoso”, por Hytalo ser negro e homossexual.

“Ao longo de toda a instrução processual, a defesa apresentou argumentos consistentes, lastreados em provas e nos próprios depoimentos colhidos em juízo que afastam a tese acusatória. Nada disso, contudo, foi devidamente enfrentado na sentença”, dizem os advogados. “A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, convicta de que as instâncias competentes restabelecerão a justiça.”

Entenda o caso

Hytalo e Israel são investigados desde 2024, sob a acusação de promover vídeos e fotografias com exploração de crianças e adolescentes em um condomínio de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. O caso ganhou repercussão nacional após vídeo viral do youtuber Felca, em que denunciou adultização infantil nas redes sociais.

Segundo a denúncia apresentada à Justiça, menores de idade eram integrados a um grupo conhecido como “crias”, “filhas” e “genros”, que viviam na casa sob a tutela informal de Hytalo. O documento apontou que o influenciador praticava a adultização dos adolescentes, incentivando comportamentos e performances de caráter sexualizado como forma de engajamento digital e rentabilização econômica.

Durante as diligências, Hytalo negou as acusações, afirmando que os pais autorizaram que ele tivesse a tutela dos menores que participavam das gravações. Disse, ainda, que matriculava os adolescentes em escolas particulares e arcava com os gastos educacionais em troca dos conteúdos produzidos.

Hytalo e o marido foram alvos de busca e apreensão em 14 de agosto do ano passado. Um dia depois, o casal foi preso preventivamente, por estar em rota de fuga do Brasil. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões em bens, o acesso às redes sociais do influenciador, que acumulava mais de 12 milhões de seguidores somente no Instagram, proibiu ele de ter contato com os menores citados no processo.

Além de exploração de menores, Hytalo e Israel são réus por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. Entre as irregularidades apontadas pelo Ministério Público do Trabalho (MTP) estão controle rígido da rotina, privação de sono, ausência de remuneração e restrição de comunicação. O órgão também apontou que o aliciamento era baseado na vulnerabilidade das famílias.

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