Valença do Piauí, 21 de jan, 2026

Operação investiga fraude processual com uso de sistema eletrônico por advogados no Piauí

Pelo menos 10 advogados foram alvos de uma operação policial, deflagrada nesta quarta-feira (13), suspeitos de fraudar o sistema eletrônico do Poder Judiciário (PJe), do Tribunal de Justiça do Piauí. Dos advogados, nove teriam atuação no Piauí e um no Maranhão. Veículos de luxo foram apreendidos.

O delegado Yan Brayner, diretor de Inteligência da Polícia Civil do Piauí, informou que as fraudes envolviam principalmente a recuperação de veículos.

“Tivemos a apreensão de veículos automotores. De forma fraudulenta, alguns conseguiram a suspensão dos efeitos das decisões que determinavam a busca de veículos em segundo grau por meio da inserção desse tipo de minuta fraudulenta”, disse o delegado.

As equipes cumpriram 13 mandados de busca e apreensão envolvendo os endereços dos advogados investigados. Eles foram cumpridos nos municípios de Picos e Teresina (PI), São Luís e Timon (MA), além de Palmas (TO) e no Distrito Federal.

A ação de hoje é um desdobramento de outra operação da Polícia Civil, deflagrada em fevereiro de 2025. Na ocasião, um ex-assessor do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) descobriu uma fragilidade no sistema eletrônico da corte, que permitia a alteração de decisões judiciais.

O ex-assessor João Gabriel Costa Cardoso admitiu ter fraudado dezenas de decisões judiciais em troca de propina. Na época, a polícia estimou que o esquema criminoso movimentou cerca de R$ 7 milhões.

“A maioria dos casos são processos relacionados a veículos, mas temos alguns processos de família. Temos um processo em específico que o próprio João Gabriel era beneficiado da decisão. Ele foi tentado a ser beneficiado de anulação de questão de concurso público”, explicou o delegado.

“Ou seja, um advogado entrou com uma ação para que fossem anuladas algumas questões de concurso para ele ingressar no cargo público; só que mesmo com essa decisão que anulou as questões, revogado posteriormente, mesmo assim ele não conseguiria a pontuação mínima para ingressar no serviço público”, finalizou o delegado.

OAB

A advogada Ana Carolina Barroso, procuradora da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Piauí (OAB-PI), afirmou que apenas as autoridades podem se manifestar sobre as atividades investigadas e que a operação está em andamento.

“A OAB foi oficiada ontem (12) acerca dessa operação e o dever institucional da gente é que eles (advogados) sejam acompanhados, amparados, e que não seja cumprido e apreendido nada que não esteja previsto no mandado”, disse.

Fonte; Clubenews

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