Valença do Piauí, 11 de fev, 2026

Operação policial em Valença é alvo de denúncia de agressões e supostas irregularidades, diz advogado

Uma operação policial deflagrada no dia 30 de janeiro, no município de Valença do Piauí, voltou ao centro do debate após denúncias de supostos excessos cometidos durante a ação. A operação foi realizada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí, por meio da Polícia Civil e Militar, com foco no combate ao tráfico de drogas.

Segundo a SSP-PI, a ação resultou no cumprimento de seis mandados judiciais, na prisão de cinco suspeitos e na apreensão de drogas. A operação foi coordenada pela Delegacia Seccional de Valença, com apoio do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), Delegacia Seccional de Picos, Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar, através do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI).

Advogado relata bastidores e classifica ação como “desastrosa”

Em entrevista ao Portal V1, o advogado Dr. Joaquim Rêgo, que representa familiares de um dos alvos da operação, relatou uma série de supostas irregularidades e agressões ocorridas durante a ação policial.

Segundo ele, os agentes teriam entrado em uma residência que não constava no mandado judicial e, durante o cumprimento da operação, teriam ocorrido agressões contra o alvo da prisão e seus familiares.

“Eles adentraram uma casa onde esse endereço não figurava no mandado de busca e lá fizeram busca, nesse mesmo perímetro, a uma outra casa da segunda pessoa que fora presa em razão de algumas acusações que nós entendemos falsas e a partir de então, foi agredido o pai da pessoa que sofreu o mandado de prisão foi agredido a irmã da pessoa que sofreu o mandado de prisão e foi agredido a pessoa que sofreu o mandado de prisão.”

O advogado também questionou a ausência de imagens internas da ação, alegando que apenas a chegada e a saída dos policiais foram registradas.

“O que nos causa estranheza é que a ação foi filmada na entrada e na saída mas por que não nesse interstício? Não há filmagens, há relatos de que uma pessoa pegou uma faca e investiu contra os policiais há relatos de que outras pessoas perturbavam o cumprimento deste mandado e o que nos faria, o que nos discerniria se verdade ou se mentira, seriam as imagens mas estas não figuram lá, figuram apenas a parte que os beneficiam.”

Suposto desaparecimento de celular e denúncias de agressão

Ainda de acordo com Dr. Rêgo, uma familiar teria tentado registrar as supostas agressões, mas o celular teria sido tomado por agentes.

“A minha constituinte narra que ao pegar o celular para gravar a ação de violência contra o seu pai e contra o seu irmão, o celular fora tomado pelos agentes mas por quem? Ela não sabe dizer porque muitos deles vão com bala clavas e não tem nenhuma especificação de nome, não há identificação.”

O advogado afirmou ainda que a mulher teria relatado ter sofrido agressão.

“Ela alega que fora agredida pelo delegado, ela alega isso na audiência de custódia o pai resultou lesionado no rosto e na perna e o irmão sofreu dois tiros de bala de borracha em toda essa ação desastrosa que houve nesse dia 30 de janeiro na cidade de Valência do Piauí.”

Outro ponto levantado foi a confecção de um novo exame de corpo de delito após questionamentos da defesa.

“Quando eu cheguei à Delegacia de Polícia, a pessoa que havia sofrido dois tiros de bala de borracha, ele tinha dois hematomas na coxa direita e o primeiro laudo a ser especificado, o médico relatava, apenas, que não existia lesões aparentes. Realmente, não estavam aparentes, se ele não examinou. E aí eu fiz um vídeo, demonstrando onde ele estava lesionado, e magicamente surgiu um novo exame de corpo delito para ele, a pessoa que era alvo do mandado de prisão e esse novo laudo, constatou as lesões que outrora não havia constatado.”

Segundo o advogado, o pai e a irmã do investigado também passaram por exames periciais.

Além disso, o advogado estranhou o emprego de unidades especializadas em uma ação que, segundo ele, envolvia cumprimento de mandado de prisão por violência doméstica, e criticou o que chamou de “roteiro cinematográfico” que vem sendo adotado em operações recentes.

Busca por imagens e alerta sobre possível divulgação

A defesa informou que solicitou juntamente com o Ministério Publico as imagens e informações sobre a operação a diversos órgãos de segurança.

“Lá foi requerido ofícios à Draco, foi requerido ofícios a Delegacia Geral de Polícia Civil fizemos requerimento de ofício, até mesmo à Delegacia de Polícia, para que mostre o circuito interno, porque o celular da moça, que filmava a ação sumiu. Nem está na casa e não está apreendido nos autos.”

O advogado afirmou que busca o aparelho e fez um alerta sobre a existência de cópias em nuvem.

“Nós estamos na busca desse celular mas se esse celular não aparecer, fica aqui a dica, que a nuvem está logada em um outro celular é melhor que o celular apareça, porque senão as imagens aparecerão de uma outra forma e ficará ainda mais feio, além do que já está.”

Posicionamento da Secretaria de Segurança

O Portal V1 tentou contato com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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