Valença do Piauí, 19 de fev, 2026

Arquidiocese de Teresina lança Campanha da Fraternidade 2026

Na manhã desta quinta-feira (19), a Arquidiocese de Teresina lançou oficialmente para a imprensa a Campanha da Fraternidade 2026. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a iniciativa convida os cristãos a refletirem sobre a realidade de milhares de pessoas que ainda não possuem uma moradia digna.

A proposta reacende o debate sobre o direito à moradia digna e convoca Igreja, poder público e sociedade civil a assumirem a corresponsabilidade diante do déficit habitacional no estado e no país.

Durante o lançamento, o arcebispo de Teresina, Dom Juarez Marques, destacou que a campanha é um forte apelo à conversão e à prática da fraternidade. “‘Ele veio morar entre nós’ é o forte apelo do Evangelho para todos nós. A Campanha da Fraternidade nos inspira por meio da Palavra de Deus, que nos convida à conversão: ‘Convertei-vos e crede no Evangelho’”, afirmou.

Segundo ele, garantir moradia digna é assegurar um direito fundamental. “A moradia é um direito de filhos e filhas de Deus, é um direito constitucional. E nós sabemos que a realidade não é bem essa. A moradia é a porta de entrada para todos os outros direitos de que uma pessoa e uma família precisam para viver com dignidade”, pontuou Dom Juarez.

O coordenador do Setor de Campanhas do Regional NE 4, professor José Neto, reforçou que a falta de moradia fere diretamente a dignidade humana. “Moradia precária é uma realidade presente entre nós. Isso não é vontade de Deus, porque a dignidade humana está profundamente ferida. Quando a pessoa não tem um lar, a vida perde totalmente o sentido”, destacou.

Ele comparou a moradia à porta de entrada dos demais direitos sociais. “Sem moradia, a porta está fechada. A moradia garante saúde, educação, trabalho digno e salário justo. É um direito sagrado”, concluiu.

Déficit habitacional preocupa autoridades

O Piauí é o segundo estado do Nordeste em déficit habitacional, onde cerca de 130 mil pessoas não possuem casa. O integrante da Comissão Arquidiocesana de Campanhas, Rodrigo Saraiva, ressaltou que, ao trazer o tema da moradia para a Campanha da Fraternidade deste ano, a Igreja provoca o debate e cobra compromisso dos gestores.

“A Igreja não pode fazer o papel do Estado, mas denuncia, propõe e provoca para que se invista cada vez mais em habitação e em toda a estrutura necessária, como saneamento, segurança e acesso à cidade”, ressaltou.

O prefeito de Teresina, Silvio Mendes, reconheceu o desafio enfrentado pelo município. Ele explicou que o município elabora projetos e seleciona as famílias, mas o principal financiamento vem do Governo Federal. “A estimativa é de um déficit de aproximadamente 35 mil residências em Teresina. É um investimento caro do ponto de vista financeiro, mas barato do ponto de vista social. Estamos buscando oportunidades. A estimativa é que possamos chegar perto de 10 mil casas em 2026. Eu espero que a gente consiga”.

O prefeito também reconheceu que ainda existem famílias vivendo em áreas de risco. “Muitas famílias constroem em áreas de inundação por necessidade. A Prefeitura não vai investir em área de risco invadida, mas precisamos buscar soluções responsáveis”, completou.

Representando o Governo do Estado, a secretária de Relações Sociais, Núbia Lopes, reafirmou o compromisso com a política habitacional. “O direito à moradia é muito importante. Precisamos pensar o lar como espaço de amor, harmonia, segurança e dignidade. O Governo já atua na regularização fundiária e em parcerias com a Caixa Econômica Federal e os municípios”, comentou.

Alguns programas, como o Minha Casa Minha Vida, possuem modalidades voltadas para populações vulneráveis. “Há percentuais reservados para pessoas em situação de rua e mulheres solo. A informação é fundamental para que essas famílias saibam como acessar seus direitos”, acrescentou a secretária Núbia.

Já o vereador João Pereira destacou o papel do Legislativo municipal no enfrentamento do problema. “Em Teresina faltam muitas moradias, é um déficit gritante. A Câmara tem um papel fundamental, e estamos debatendo leis e propostas para reduzir esse número. Só os programas federais não são suficientes; é preciso parceria do município, do Estado e da sociedade. Moradia é dignidade”, finalizou.

Estiveram presentes ainda na coletiva de imprensa a defensora-geral do Estado, Carla Yascar; o deputado estadual Fábio Novo; o secretário municipal de Planejamento, Marco Antônio Ayres; e a secretária da Semcaspi, Eliane Nogueira.

A Arquidiocese segue mobilizando as unidades pastorais e a sociedade civil para que, durante o período quaresmal, a reflexão se traduza em ações concretas de solidariedade e transformação social. No próximo sábado, dia 21 de fevereiro, a partir das 18h30, acontecerá a apresentação da CF 2026 para toda a comunidade, na Igreja Matriz de Santa Luzia, localizada no bairro Promorar.

Fonte: ascom

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