Valença do Piauí, 20 de out, 2021

Estudante em artigo chama a atenção para a extinção da Pirunga

Marcelo Ribeiro Silva

O estudante do Curso de Engenharia Agronômica, da UFPI, o pimenteirense Marcelo Ribeiro Silva escreveu um artigo chamando a atenção para a eminente extinção da Pirunga, fruta bastante conhecida em nossa região e que está em perigo de extinção segundo a Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. Confira abaixo o artigo:

Pirunga em risco de extinção

A espécie Erythroxylum bezerrae, pertencente à família Erythroxylaceae, conhecida entre os pimenteirenses como Pirunga, é uma planta de ocorrência descrita, no Brasil, apenas na porção norte do Planalto da Ibiapaba, na divisa entre os estados do Piauí e Ceará, ocorrendo nos biomas Caatinga e Cerrado (Figura 1A) (PLOWMAN, 1986; LOIOLA, 2001).

No município de Pimenteiras – Piauí, ela localiza-se em pontos distintos em torno da cidade, e sua importância para a população é histórica e cultural, transformando-se em um dos símbolos da cidade.

Os “Tempos de Pirunga” que coincidem com o período das chuvas na região vêm atravessando gerações e gerações ao longo do tempo. Entretanto, esses “Tempos” podem estar próximos do fim e gerações futuras correm o risco de não conhecerem a planta que produz frutos doces e de coloração preta, quando maduros (Figura 1B).

Essa preocupação em relação ao seu desaparecimento surgiu devido esta espécie encontrar-se na Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, na qual a mesma encontra-se na categoria “Em Perigo” (EN), ou seja, é uma espécie que enfrenta um risco muito elevado de extinção em um futuro próximo, segundo o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) e à Portaria nº 443, de 17 de dezembro de 2014 do Ministério do Meio Ambiente.

O principal motivo dela encontrar-se nesta condição é a ocorrência de desmatamento em regiões onde a mesma localiza-se. Portanto, de posse dessa informação, cabe à população de onde essa planta ocorre, incluindo os pimenteirenses, bem como aos governantes, fiscalizarem e elaborarem estratégias de conservação populacional dessa espécie, para que no futuro os netos não perguntem aos avós: “O que era Pirunga?”

 

Referências bibliográficas

LOIOLA, M.I.B. 2001. Revisão taxonômica de Erythroxylum P. Browne sect. Rhabdophyllum O.E.Schulz (Erythroxylaceae Kunth). 238p. Tese de Doutorado, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife.

PLOWMAN, T. 1986. Four new species of Erythroxylum (Erythroxylaceae) from Northeastern Brazil. Brittonia, v.  38, p. 189-200, 1986.

CNCFlora. Centro Nacional de Conservação da Flora. Erythroxylum bezerrae. In: Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2. Disponível em http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Erythroxylum bezerrae . Acesso em 19 fevereiro 2018.

 

Texto escrito por: Marcelo Ribeiro Silva, estudante do Curso de Engenharia Agronômica, da UFPI.

5 Comentários

fatima

Parabéns p esse aluno por lembrar a tds nesta reportagem sobre a Pirunga..já tenho ido passar férias no período que tem a pirunga e sempre procuro
p pirunga e nunca acho..ali no caminho indo p oiti
tem …mais nunca vi nascer pirunga…pena mesmo comi muito quando criança.

24 fev, 2018 Responder

Jean Mendes

No Piauí ela é chamada de “maria preta”. Onde moro tem outra da mesma espécie que o nome científico é Erythroxylum subracemosum, e popularmente conhecido como “murici pitanga”. E também está se extinguindo e nenhum autoridade competente da devida atenção. O desmatamento nessa sociedade capitalista é tristemente tratado como progressso!

15 maio, 2020 Responder

Marcelo Ribeiro Silva

Realente Jean, é uma situação triste a que estamos vivenciando, com a “boiada passando” (termo dito pelo Ministro do Meio Ambiente) e o desmatamento ascendendo com perdas de fauna e flora inestimáveis para a sustentabilidade. É tão difícil entender que para dominarmos a natureza é preciso, primeiramente, obedecê-la, respeitar o seu espaço, o seu tempo de recuperação? Isto é, é possível que haja aumento de produtividade sem mais expansão agrícola. Há, atualmente, tecnologia para termos este aumento de produtividade com sustentabilidade, parece utópico, mas é real, existe embasamento científico para isso.
Enfim, fico grato pelo seu feedback. E continuemos a lutar por aquilo que nos é essencial.

25 jun, 2020 Responder

Que tal conseguirmos mudas ou sementes para propagar-mos em áreas de preservação, já que lutar contra o governos e produtores é muito difícil whatsapp 88 99600 9666

Tenho interesse nas mudas ou sementes manda informações de onde consigo.

03 set, 2020 Responder

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