Partido Novo oficializa Romeu Zema como candidato à presidência
O Novo oficializou nesta segunda-feira (27) o ex-governador Romeu Zema como candidato do partido à Presidência da República em convenção nacional realizada em Brasília. O evento também reuniu nomes da sigla para o Senado.
Durante seu discurso, Zema focou em críticas ao governo Lula (PT), no combate à corrupção e em reformas na segurança pública e no Judiciário, especialmente no Supremo Tribunal Federal (STF).
O empresário responsabilizou a atual gestão pelo avanço do esquema de fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e do escândalo de desvios ilegais dos aposentados do INSS.
Ele também ligou ministros do STF a Vorcaro, preso desde março. Mencionou Gilmar Mendes por ter utilizado um jatinho da empresa do banqueiro e, sem citar nomes, Alexandre de Moraes pelo contrato do escritório de sua esposa com o Master, e Dias Toffoli pela sociedade entre seus irmãos e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
“Quero que o Brasil acabe com essa farra dos intocáveis. Nenhum outro candidato tem criticado tanto isso como eu. Mas quero frisar aqui, quem andou no jatinho dos bandidos foram ele e os colegas dele. Quem fez as transações com o Tayayá foi outro colega dele”, declarou Zema.
“Alguns ministros são uma vergonha não só para o STF como pro Brasil”, complementou.
Zema defendeu o estabelecimento de uma idade mínima para ascender ao cargo de ministro do Supremo. Ele propôs 60 anos e comparou uma cadeira na Corte ao cargo de papa da Igreja Católica: “Deve ser o coroamento de uma longa trajetória acadêmica ou no Judiciário”.
Segurança pública
Romeu Zema elogiou a política de encarceramento em massa de narcotraficantes aplicada pelo governo de Nayib Bukele, em El Salvador, e disse se espelhar nas reformas do país centro-americano para reformar a segurança pública no Brasil.
Uma das propostas do candidato do Novo ao Planalto é construir um “superpresídio” federal em um “local remoto”. Ele deu como exemplo a Amazônia. A ideia é concentrar nesse local os líderes de facções criminosas. “É para onde vão mofar por pelo menos 25 anos”, afirmou.
Zema disse que Bukele conseguiu tornar El Salvador, antes o país mais violento das Américas, no país mais seguro, junto com o Canadá. Também creditou ao político o retorno de salvadorenhos que haviam imigrado para o exterior.
O ex-governador disse que pretende fazer o mesmo no Brasil e atrair de volta boa parte dos cinco milhões de brasileiros que vivem em outros países. Segundo ele, esse cenário hoje é inviável porque o país “vive uma carnificina” por causa do crime organizado.
“Quero que o Brasil retome a soberania que estamos perdendo. Tem gente falando que o Brasil está perdendo a soberania porque os Estados Unidos enquadraram organizações criminosas como terroristas. O Brasil já deveria ter feito isso há muito tempo. O Brasil tem áreas controladas pelo crime organizado em que o estado não manda”, disse Zema.
O candidato à Presidência sugeriu ainda uma mudança na legislação penal sobre audiência de custódia. “No segundo ou terceiro delito, está detido e aguarda o julgamento. Não dá pra continuar mantendo gente do mal na rua”, propôs o político do Novo.
Vice e pesquisas
Oficializado na corrida presidencial, Zema ainda não definiu seu vice. A discussão ainda está em aberto pela campanha do ex-governador, que não descarta uma candidatura pura, com outro nome do Novo para compor a chapa.
O Novo ainda nem alianças nacionais com outros partidos visando as eleições de outubro. O desejo de Zema é ter Joaquim Barbosa como vice. O ex-ministro do STF é filiado ao Democracia Cristã (DC), que não tem representação no Congresso e, por isso, não engloba tempo de TV e rádio na propaganda eleitoral.
Zema elogiou Barbosa pela “carreira intocável” e seu papel no combate à corrupção — o ex-ministro foi relator no STF do caso do mensalão.
“Joaquim Barbosa não teve esses contratos milionários que vemos hoje. Uma pauta dele é o combate à corrupção. Tive uma conversa muito breve com ele, teremos outra conversa com ele e não tem nada definido”, resumiu.
Questionado sobre o fraco desempenho nas pesquisas, o ex-governador minimizou e disse que o eleitor só definirá seu voto na reta final da campanha. Com menos de 5% das intenções de voto nos levantamentos, ele destacou ainda a importância dos debates para avançar frente à opinião pública.
