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Permínio Asfora o eterno nômade

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13/09/2009

Remanescente de um grupo do qual fizeram parte Raquel de Queiroz, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, o escritor piauiense Permínio Asfora ganhou destaque nacional pela excelência de sua pena. Exaltado não só pela crítica especializada como pelos grandes nomes da cultura brasileira entre os quais jornalistas, poetas, pesquisadores, cineastas e professores, Permínio experimentou o nordeste de uma forma muito particular; focalizou elementos do nosso cotidiano e deu vida e cor à nossa paisagem árida. Fogo Verde a quem Gilberto Freire proclamou com admiração ser o romance brasileiro que mais amava é um retrato da nossa gente e do nosso espaço geográfico. Ambientado em Valença do Piauí com algumas passagens em Oeiras (capital do Piauí à época) e Fortaleza o romance nos nas traz uma dimensão dramática em torno da descoberta de minas de cobre no interior do Estado. A ganância – um carma universal leva Salustiano a um mundo adverso; viajando a outros países e despertando em todos o desejo pelo enriquecimento rápido nos permite perceber com nitidez como o escritor, maduro, soube abordar com maestria os desejos humanos aqui e em qualquer parte do mundo.

Filho de imigrante árabe e mãe piauiense, Permínio veio nascer em meio à paisagem seca do sertão nordestino. A experiência dessas paragens foi o suporte básico de seus principais romances que cabem numa espécie de tetralogia nordestina iniciada com Sapé que sofreu a censura do DIP, seguida por Fogo Verde, Noite Grande e Vento Nordeste. A tetralogia nordestina é um exemplo notável de arte produzida por quem de fato peregrinou pelo sertão seco em tempos difíceis. Até pode ser considerada um libelo. Na verdade toda essa geração que compõe o regionalismo nordestino na literatura brasileira conviveu e de alguma forma representou em seus escritos os momentos de ascensão e decadência econômica de uma região marcada pela miséria e pelo martírio latentes.

Como define Raquel de Queiroz em um belíssimo artigo sobre Permínio Asfora o Rio era o local para onde desaguavam todos das letras. E assim foi com o nosso romancista – iniciador da estética modernista no Piauí, que depois de longo percurso pelo nordeste fixou residência no Rio, tendo a certeza de que foi o nordeste a matéria-prima da tessitura de sua vida profissional, moral e mais que isso intelectual. Permínio Jamais negou suas raízes, embora a nossa terra, em especial o nosso estado esteja em débito com o escritor. Nenhuma alusão foi dada até agora nem mesmo pelas universidades que pudesse minimizar o efeito do esquecimento que nós mesmos tratamos de relegar a um escritor que manteve viva a imagem do nosso estado imortalizando-a em dois de seus oito romances. Decorridos ontem (12 de setembro) oito anos de sua morte, não fosse essas linhas mal escritas, nenhuma alusão por parte do Piauí sairia relembrando a importância de mais um piauiense que soube encarar as adversidades geográficas, culturais e econômicas para produzir arte, e das melhores. O escritor nasceu em Valença em 1913.

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Por Kássio Gomes

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