Valença do Piauí, 22 de jun, 2021

Promotor discorda sobre indiciamento na morte de gerente do BB

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O promotor militar, Assuero Stevenson, informou nesta sexta-feira (24), na TV Cidade Verde, que discordou do inquérito da Polícia Civil sobre a morte do gerente do Banco do Brasil, Ademyston Rodrigues Alves. No inquérito policial houve o indiciamento dos policiais por crime culposo. O promotor não concorda e denunciou os seis policiais por crime doloso. Com essa decisão, os PMs não serão julgados pela justiça militar, mas pela comum.

Já se passaram dois anos desde que Ademyston Rodrigues Alves, gerente do Banco do Brasil, na cidade de Miguel Alves, a 113 quilômetros de Teresina, foi morto durante um assalto a agência. A esposa da vítima está insatisfeita e reclama da Justiça. No entanto uma denúncia do Ministério Público (MP) pode mudar essa situação.

Entre os policiais indiciados está o tenente coronel Erotildes Messias de Souza Filho, comandante da operação.

Em entrevista ao Jornal do Piauí desta sexta-feira (24), o promotor Assuero Stevenson afirmou que os quatro policiais militares – podendo chegar até seis – envolvidos na troca de tiros com os assaltantes, que resultou na morte do gerente, podem responder por crime doloso, e não por crime culposo, como havia sido cogitado no inquérito da Polícia Civil.

De acordo com o laudo da Polícia, Ademyston Alves morreu com duas lesões fatais, uma na cabeça e outra que atravessou seu coração. Os dois tiros vieram de fora do carro, em disparos feitos pela Polícia Militar. O documento concluiu ainda que foram os fragmentos dos projéteis das balas da polícia, que atingiram a lataria do carro, que mataram o gerente.

“Eu analisei todo o inquérito policial não resta dúvida de que o crime é doloso, quando se tem uma vontade deliberada de cometer o crime ou quando se assume o risco de matar. Todos tinham a consciência de que no carro vinha um refém. A partir do momento que começaram uma troca de tiros eles assumiram o risco de matar não só os bandidos como o gerente”, explicou o promotor Assuero Stevenson.

A novidade no caso deu esperança a família da vítima, que espera por justiça. “O promotor dizendo que acredita em crime doloso deu uma esperança para a gente. Porque o que eu e meus filhos recebemos do Estado foi indiferença, trataram esse caso com uma banalidade absurda, como se fosse uma coisa normal matar uma pessoa”, lamentou a viúva, Sandra Alves.

Para Assuero Stevenson a família tem o direito de estar indignada com o desenrolar dos fatos. “Entendo a indignação da família porque só para apurar um homicídio se passaram dois anos, e para isso não há justificativa. E eu só posso lamentar e dizer que realmente a conclusão do inquérito não foi bem feita”, ressaltou.

Depois da analise feita pelo Promotor de Justiça, o inquérito foi encaminhado para Miguel Alves, onde um representante do MP deverá fazer uma denúncia. “Dessa forma, os quatro policiais que estavam na linha de frente e efetuaram a troca de tiros contra o carro onde estava a vítima deverão responder pela autoria do crime”, finaliza.

Fonte: cidadeverde

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