Valença do Piauí, 20 de abr, 2026

Série da Netflix relembra tragédia do Césio-137 e recorda mobilização histórica em Valença do Piauí

A Netflix Brasil está exibindo em sua programação a minissérie Emergência Radioativa, que retrata o trágico acidente com Césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987 considerado por especialistas o maior desastre radiológico do mundo fora de uma usina nuclear.

O caso começou quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado em busca de chumbo e acabaram liberando material altamente radioativo. A substância acabou sendo espalhada entre moradores da cidade, provocando uma grave contaminação. Inicialmente, quatro pessoas morreram em decorrência direta da exposição, e estimativas apontam que mais de 60 mortes posteriores podem estar relacionadas às consequências do acidente.

A exibição da minissérie também trouxe à memória um episódio pouco lembrado envolvendo a cidade de Valença do Piauí. O município foi um dos locais brasileiros cogitados para receber parte das cerca de 6 mil toneladas de rejeitos radioativos gerados após a descontaminação de Goiânia. Assim como ocorreu em diversas cidades do país, a população valenciana se manifestou contrária à possibilidade.

Uma grande mobilização foi realizada na Praça Getúlio Vargas, reunindo moradores, estudantes e lideranças locais, como relembra o professor e historiador Antônio José.

“Valença toda participou de uma concentração na Praça Getúlio Vargas. Houve discursos, faixas e cartazes em folhas de cartolina escritos com pincel atômico. Outros cartazes traziam o símbolo do raio, além de um tambor preto com o símbolo do perigo radioativo e uma caveira. O prefeito na época era o senhor Joaquim Lima Verde, que apoiou o movimento”, recordou.

O historiador também destacou a participação das escolas e professores da cidade.

“O Colégio Santo Antônio participou junto com os professores Damásio, Pereira, Augusto Miranda, Evandro Veloso, Dr. Damásio e professor Moura. A cidade toda esteve presente. Durante a caminhada, próximo ao Banco do Nordeste, o povo ficou de joelhos e cantou o Hino Nacional”, relatou.

Após estudos de viabilidade técnica e geológica, decidiu-se construir um depósito definitivo para os rejeitos em Abadia de Goiás, na região metropolitana de Goiânia. No local foram armazenados materiais contaminados, como roupas, móveis, entulhos de casas e até veículos.

O complexo ocupa uma área de cerca de 50 hectares e foi construído com elevados padrões de segurança. Atualmente, abriga 4.223 tambores e 1.343 caixas metálicas revestidas de concreto, que permanecem sob monitoramento permanente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

1 Comentário

jota junior

Muito bem a união do povo de Valença em não permitir, a instalação de rejeito radioativo nesta cidade.. Que na época não tinham muita estrutura. Como não tem ate hoje. Valeu todos os segmentos da sociedade valenciana, em prol da saúde de todos.

02 abr, 2026 Responder

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