Valença do Piauí, 27 de jan, 2021

Zózino Tavares: Prefeitos que denunciaram crise aumentam salários

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Novos Salarios

Depois das eleições, dois assuntos dominaram o noticiário sobre os municípios: o agravamento da seca no Piauí e o estado de calamidade pública das cidades, decorrente do abandono delas, pelos gestores derrotados.  A crise foi tão grande que o Tribunal de Contas, numa decisão inédita, bloqueou as contas bancárias de mais de 50 prefeituras.

O bloqueio foi determinado nos municípios que, após o pleito, interromperam a prestação de serviços básicos à população (coleta de lixo, funcionamento de hospitais e postos de saúde, transporte escolar, etc), atrasaram o pagamento dos salários dos servidores, deixaram de pagar a Previdência e deram calote nos credores.

Os próprios prefeitos eleitos cuidaram, pessoalmente, de fazer alarde sobre a situação de calamidade em seus municípios. E não estavam inventando nem aumentando. Os técnicos do Tribunal de Contas foram conferir in loco as denúncias e constataram a sua veracidade. Daí a decisão dos bloqueios das contas de muitos deles.

Enquanto faziam acusações públicas contra os adversários, muitos dos prefeitos eleitos maquinavam para aprovar, na surdina, nas Câmaras Municipais, aumentos para seus próprios salários, os de seus secretários e dos vereadores. Até parece que os dramas da seca e do caos em suas cidades não existiam.   E que a penúria nos municípios se acabaria com a posse deles.

As notícias que se tem hoje sobre as novas administrações dão conta que, em muitas cidades, além de sacrificarem os municípios com o aumento em seus próprios vencimentos, os novos gestores carregaram nas tintas também na nomeação de parentes para suas equipes. Há um nepotismo desenfreado em dezenas de prefeituras.

No caso dos saques criminosos, o Tribunal de Contas agiu preventivamente e evitou o pior. A sangria dos municípios, ao apagar das luzes das gestões que se findaram em dezembro passado, foi contida. Agora, em relação ao aumento dos salários dos gestores e vereadores, bem como do nepotismo, quem é que pode agir?

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