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Diretora da Quadrilha Chico Kaipira fala sobre episodio no Festival Junino

05/07/2011

Quadrilha Chico Kaipira

O portalv1 recebe e repassa email enviado pela diretora da Escola São Francisco, Ineide Lima Verde responsável pela Quadrilha Chico Kaipira que teve sua apresentação prejudicada por problemas técnicos na aparelhagem de som do festival. Com o problema e com a não intervenção da direção a quadrilha teve que se apresentar em respeito ao publico em um som improvisado e mesmo com o problema gerado pela organização sua apresentação foi computada e o resultado é que a quadrilha ficou na última colocação do festival.

Vale ressaltar que a professora Ineide Lima Verde foi à criadora do Festival Junino em Valença há 23 anos atrás. Veja o email enviado ao portalv1.

NOSSA NOITE DE VANDERLEY CORDEIRO
Você lembra este episódio?
Compare a este
Cenas diferentes e situações idênticas.
Situações de confiança, garra e determinação, com interrupções bruscas, frustrações e superação.

Como idealizadora do Festival de Quadrilhas de Valença, sempre fui presente durante todos estes anos de sua realização; algumas vezes como participante. Nunca ganhamos, mas também, nunca foi esta a nossa preocupação. Este ano, participando com o grupo Xico Kaipira, não posso dizer que vivemos bons momentos (eu e o grupo).

O agravo começou logo pelo som, que iniciou com muita excitação e se transformou numa espécie de monotonia de decibéis da energia, levando o grupo a parar e, depois seguir andando para frente e para trás, prejudicando a demarcação harmônica do compasso determinado pela musicalidade. Isto foi frustrante, principalmente para eles (jovens e crianças) cheios de vida, maravilhados, alegres e felizes por estarem se apresentando no FESTIVAL.

Sonhadores, entraram na quadra com hormônios “a aflorar na pele,” e nisso deveriam sim, ser guiados pela letra da música, pois a voz do CD ouvida tantas vezes (cópia do original) nos ensaios, virou a vitrine da alma de cada um, que impávido, flutuava elegante, leve e brilhoso.

Bruscamente interrompido som; sem entenderem o que acontecia, transformaram-se em um todo cerrado, denso e sem lustro. Mas, mesmo assim, galantes, continuaram firmes e embalados por um ritmo que apesar do profissionalismo e sensibilidade do tocador, no momento soava capenga.

Foi uma experiência triste, se bem que houve muita compreensão e calor humano, mas estes não vieram de onde deveriam vir. Superamos este primeiro acaso com muita tranqüilidade.

Agora, imagine-se no meu lugar: mais de 40 anos de vida dedicados a educação, hoje na rede privada (Diretoria do Colégio São Francisco) ser exposta como irresponsável perante autoridades, pais de estudantes e o público da cidade que me viu crescer, e onde fui agente política por 12 anos. Se você que estava lá ou, não; e não entende a que me refiro, siga a leitura e reflita após a explicação:
Com o grupo já na fila de entrada para apresentação, entreguei o CD ao técnico de som, (ainda estavam limpando a quadra) este com cara de quem não estava muito a fim (expressando má vontade), recebeu e disse…, (quem estava próximo ouviu).

Vale lembrar antes que tudo feito conforme os art. 5º e 6º, do Regulamento do Festival. Autorizado a entrar, o Grupo ansioso era o espelho da felicidade. De repente a música parou, corri para ele e perguntei: – Moço, pelo amor de Deus o que está acontecendo? Este grosseiramente respondeu: – Seu CD que não presta. – O quê!? Não entendi! – É, o CD sim, não presta, está mal gravado. – Não, pode ser moço, ele foi gravado num estúdio profissional de muita competência e responsabilidade. – Pode ter sido assim, mas não presta, eu o adiantei, mas não lhe garanto se ainda vai rodar. (Baldoino já estava tocando). – Deixa, tudo bem.
Como já tinha ouvido antes, algo parecido, calei e entendi que alguma coisa estava errada, sim, mas com o som. A esta altura “a vaca já estava no brejo” (como dizem no linguajar popular). Virei petrificada, mas, cheia de orgulho, vi aquele grupo dar uma lição de superação de problemas, de equilíbrio emocional de personalidade e educação (missão principal da nossa Escola). Pois mesmo com um som totalmente estranho, fez muito bem o que aprendeu e, tinha ido ali para fazer.

São lições como essa, de pessoas ainda tão jovens, que nos cativam e nos deixam cada vez mais apaixonados pelo trabalho educacional. Saímos chorando sim, mas, eles (componentes do grupo) como bem puderam testemunhar souberam se comportar com muita altivez e decência.

Digo saímos, porque eu também chorei; chorei por eles e, depois por mim.
Por mim, que após defender com tanta veemência o profissionalismo da gravação do CD, a ponto de retirar o Secretário da Cultura e, mais uma testemunha, do local do evento até uma casa vizinha para ouvirem que com o CD em questão não havia nenhum problema; ele funcionava perfeitamente bem (quem quiser confirmar é só vir na escola que eu coloco em qualquer som), tive grande decepção após a calmaria.

Ao retornar para assistir as outras apresentações, ouvi de um assessor de comunicação a insinuação de que “havíamos” levado para apresentação, um CD velho, ralado…, Quem me conhece, sabe que eu jamais agiria com tamanha irresponsabilidade. E foi exatamente este, o julgamento que mais me doeu em todo este lance, principalmente pela omissão do organizador oficial do evento em não fiscalizar o cumprimento do artigo 14 e, ainda no dia seguinte, do parágrafo único do artigo 21 do Regulamento. Pois tinha conhecimento do acontecido, foi levado a ouvir o CD, sabia que ele funcionava. Então, deveria ter-se manifestado em defesa da verdade; ou pelo menos cumprir os critérios indicados como proibidos pelo Ministério da Cultura.

Quanto ao som, sei como funciona um computador e até concordo que após o incidente, tudo passou a funcionar normal e muito bem; parece que acordaram, viram o quanto a indolência foi prejudicial; revisaram a instalação de equipamentos. Como também confesso que, como sempre sabíamos que não ganharíamos prêmios, e isto era o mínimo frente à emoção de participar, eu até deixei claro pelo grupo que levei ao Festival e, na apresentação, quem estava lá deve lembrar, que fiz questão de ressaltar que ali estavam estudantes desde a Educação Infantil, até o 3º ano do Ensino Médio. Eram estudantes da Escola que queriam se apresentar no FESTIVAL.

Seguido a isto, o comportamento e resignação do grupo, foi à melhor prova de preparação para vencer barreiras e aceitar os resultados. E hoje digo: sorte da organização ter sido com o nosso grupo.

Queríamos mesmo, era participar. E ficamos tristes sim, porque devido à lassidão, e a impassibilidade…, jovens e crianças que preparam o físico, a técnica e o emocional, não tiveram a oportunidade de mostrar o seu verdadeiro trabalho, e nós, seus professores, além dos maus tratos, fomos expostos e ficamos subentendidos como vilões irresponsáveis.

Alguns amigos, na hora diziam ter sido proposital. Ficando eu e os meus critérios a frente de tudo isto, ainda acredito que não. O certo é que após tudo, o que nos resta é dizer bravo, ao que pela ousadia de remar contra a corrente, não se deixa levar pela ditadura da opinião. Bravo, para o Baldoino do Forró, que no nosso caso foi o “Salvador da Pátria.” Bravo, para os pais que embora decepcionados, entenderam que não foi uma irresponsabilidade nossa e ajudaram a confortar os nossos jovens. Bravo, para nossos jovens e crianças que se comportando com muita maestria mostraram que aprenderam a lição e deram um verdadeiro exemplo de educação.

E para os críticos e os que fazem pouco caso dos outros… Respondo: Parece-me que está faltando amor. Feche os olhos e abra a mente e o coração, e com sua alma sinta o milagre de uma platéia que a princípio, sem entender, ensaiou uma vaia, mas logo assimilou o problema e juntando-se nós incentivou a celebração “do sorriso do corpo” num momento de muita paz, e harmonia! Faltou sim, a delicadeza no trato da música, mas sobraram toneladas de pensamentos positivos a nosso favor.

E quem nos julgou erradamente vai um conselho: jogue fora as consternações e trabalhe por estímulo. Entusiasmo, animação ou impetuosidade tem muito mais a ver com o preparo espiritual do que com a vontade desestruturada.
Ir.

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5 Comentários

  1. robert santos em 05/07/2011 às 08:38

    Se eles tratam os aliados assim imagina os adversários.

  2. geane vieira em 05/07/2011 às 09:18

    concordo plenamente com a senhora, o que houve ali foi uma demonstração de que sua escola prepara cidadãos ( e olhe que estamos falando de crianças e adolescentes) capazes de se superar diante das dificuldades. parabéns!!!!

  3. REGINA em 05/07/2011 às 13:10

    parabénss dona INEIDE,vc e os alunos
    do colegio são francisco,e todos organizadores.

  4. REGINA em 05/07/2011 às 14:02

    É lamentável o que aconteceu.
    mais a senhora dona INEIDE,os alunos e
    todos os organizadores estão de parabens.

  5. Márcia em 08/07/2011 às 20:59

    Não vi a quadrilha,pois não estava presente no festival,mas como ex-aluna do colégio São Franscisco e por saber como é a educação é tratada e os eventos realizadas pela mesma, venho da meu apoio a dona Ineide e aos demais integrantes da quadrilha e dizer que acredito sim, que o erro jamais partiu da escola,pois é de competencia dela sempre apoia e fazer o possível e o impossível para que seus alunos brilhem! Parabéns dona Ineide.

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