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Historiador contesta data do aniversário de Valença.

20/09/2009

Em 1740, D. Manoel da Cruz, Bispo do vizinho Estado do Maranhão, cria uma freguesia (povoação sob o aspecto eclesiástico; conjunto de paroquianos), onde mais tarde recebe o nome de aroazes, nome este em homenagem a tribo indígena aruaques ou aroazes que habitava no local. Para dar início à citada freguesia, os selvagens, pobres índios gentios (pagãos), foram aldeados, pelos padres jesuítas, nas proximidades da fonte do Riacho Tabúa (localizado entre as cidades de Aroazes e Santa Cruz dos Milagres) e expulsos  da região pelos citados padres jeuitas.

Uma outra povoação indígena naquela mesma época surgia a um quilômetro de distância das nascentes do “Córrego (riacho) Caatinguinha” provavelmente um pouco acima daquele que já foi famoso, por sua importância e utilidade, “O Olho D’água”. Hoje totalmente destruído, abandonado e esquecido pelas atuais autoridades municipais. Na freguesia das missões dos aroazes, foi construída uma capela para abrigar a imagem conhecida por Nossa Senhora da Conceição dos Aroazes, onde hoje só consta um pilar em frente a um a outra capela construída. Por determinação da Carta Régia datada de 19 de Junho de 1761, firmada por D. José I, Rei de Portugal, o qual mandou erigir (instituir, criar, construir) uma vila em cada uma das freguesias do Piauí. João Pereira Caldas-Português, da cidade de Valença-Portugual, primeiro Governador da Província do Piauí, aproveitando a oportunidade, achou por bem instalar uma das vilas na freguesia recém-criada da imagem conhecida por Nossa Senhora do Ó. A então vila foi instalada no dia 20 de Setembro de 1762, com o nome de “Vila Caatinguinha” (e não Vila Valença como declaram alguns historiadores valencianos) ao lado esquerdo do córrego (riacho) caatinguinha, primeiro marco da nossa história, hoje totalmente poluído, abandonado e esquecido pelo executivo e legislativo municipal, isto dói e fere nossos sentimentos de patriotismo. Mas, infelizmente, quem é capaz de amar Valença do Piauí para cobrar e denunciar os abusos cometidos em nossa cidade?

Naquela época, primeiro era instalada uma vila, quando já havia uma povoação, como experiência para ver se haveria desenvolvimento, se houvesse, começavam a pensar na criação (emancipação de uma cidade), isso precisava de interesse, crescimento, desenvolvimento e preenchimento dos requisitos para tal. No caso da Vila Caatinguinha, o desenvolvimento e o crescimento se deu lentamente, tal qual a cidade de Valença do Piauí hoje. Tudo aqui acontece lentamente, porque os homens filhos desta terra têm pouca visão e de igual modo, pouco interesse no desenvolvimento, de modo que a Vila Caatinguinha levou 127 anos (1762-1889), para preencher os requisitos legais a fim de ser organizada em cidade. Isto é uma vergonha! O desenrolar de toda história estarei apresentando detalhadamente, sem deixar nada de fora, no meu livro. Que traz o titulo: “Valença do Piauí, origem, vida, passado, presente e futuro”. O qual lançarei em 30 de Dezembro de 2010.

A partir daí, começa então a construção de algumas choupanas pelos índios aruaques (aroazes), habitantes daquela povoação. Dão início também a construção de uma enorme capela em frente a um cemitério indígena (segundo marco histórico de nossa cidade), que anos mais tarde abrigaria a imagem negra africana de São Benedito, de propriedade dos escravos trazidos para a região, onde passaram a residir em uma aldeia a 2 léguas da Vila Caatinguinha, hoje povoado Fumal, para o plantio de café e como não deu certo a cultura cafeeira, devido a terra  e o clima ser impróprio, passaram a cultivar fumo.

Por força da lei provinciana Nº 52 de 5 de Setembro de 1836, a sede da freguesia das missões dos aroazes, ou melhor, Nossa Senhora da Conceição dos Aroazes, foi transferida para a Vila Caatinguinha, tendo em vista que a então vila ia crescendo (mesmo lentamente) e se tornando mais importante. Em 1727 a construção do templo de pedras iniciado pelos índios já expulsos pelos padres jesuítas, foi concluído pelos escravos, sendo reformado, perdendo parte de sua beleza, inclusive a torre, em 1840, com um formato bem diferente. Em 30 de Dezembro de 1889, a Vila Caatinguinha, por obedecer as normas legais e atender todos os requisitos exigidos por lei, foi organizada, isto é, emancipada em cidade, perde o nome de origem e passa a ser chamada de Valença, em homenagem ao Governador Provincial João Pereira Caldas, natural de Valença-Portugal.

Na ocasião de sua emancipação política, a nova cidade de Valença constava em sua sede, 339 casas com 156 habitantes e em toda a freguesia de nossa Senhora do Ó, havia 259 habitantes e 206 foros.. A cidade constava de um território de uma légua em quadro (6 quilômetros quadrados). Então, no dia 20 de Setembro é legal e justo comemorar o aniversário de 247 anos de instalação da Vila Caatinguinha, sem muita importância e não da cidade de Valença, porque o aniversário  oficial, certo e correto de Valença  deverá se comemorado no dia 30 de Dezembro, dia da sua emancipação política. É isto que deve ser levado a sério.  De modo que no dia 30 de Dezembro deste ano (2009), Valença, com o acréscimo da palavra: do Piauí em seu nome (Valença do Piauí, em 1948), completará 120 anos de emancipação política (organização em cidade). Lamento muito que aqueles que mudaram a data do aniversário de nossa cidade não conheçam a nossa história, isso é uma pena! Porém, a verdadeira historia da Vila Caatinguinha e da cidade de Valença do Piauí, está sendo contada e escrita por um valenciano que ama muito esta terra. Aguardem!

Minha querida Valença do Piauí, infelizmente não posso te homenagear e te parabenizar agora, porque tudo está errado. Farei isto com muito prazer, carinho e amor na data correta, 30 de Dezembro próximo, o dia correto do teu aniversário.

Fonte: Folha Valençana.  

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Artigo: João Batista Alves de Carvalho, Professor, escritor e historiador

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1 Comentário

  1. zacarias luz em 21/09/2009 às 06:56

    Caro Professor,

    Sendo valenciano gostei bastante da materia revisei a história de minha terra.

    Desejaria remeter alguns dados sobre Joaquim Francisco da Luz (Miné),

    Grato
    Zacarias Luz