Valença do Piauí, 06 de ago, 2021

Historiador contesta data do aniversário de Valença.

Em 1740, D. Manoel da Cruz, Bispo do vizinho Estado do Maranhão, cria uma freguesia (povoação sob o aspecto eclesiástico; conjunto de paroquianos), onde mais tarde recebe o nome de aroazes, nome este em homenagem a tribo indígena aruaques ou aroazes que habitava no local. Para dar início à citada freguesia, os selvagens, pobres índios gentios (pagãos), foram aldeados, pelos padres jesuítas, nas proximidades da fonte do Riacho Tabúa (localizado entre as cidades de Aroazes e Santa Cruz dos Milagres) e expulsos  da região pelos citados padres jeuitas.

Uma outra povoação indígena naquela mesma época surgia a um quilômetro de distância das nascentes do “Córrego (riacho) Caatinguinha” provavelmente um pouco acima daquele que já foi famoso, por sua importância e utilidade, “O Olho D’água”. Hoje totalmente destruído, abandonado e esquecido pelas atuais autoridades municipais. Na freguesia das missões dos aroazes, foi construída uma capela para abrigar a imagem conhecida por Nossa Senhora da Conceição dos Aroazes, onde hoje só consta um pilar em frente a um a outra capela construída. Por determinação da Carta Régia datada de 19 de Junho de 1761, firmada por D. José I, Rei de Portugal, o qual mandou erigir (instituir, criar, construir) uma vila em cada uma das freguesias do Piauí. João Pereira Caldas-Português, da cidade de Valença-Portugual, primeiro Governador da Província do Piauí, aproveitando a oportunidade, achou por bem instalar uma das vilas na freguesia recém-criada da imagem conhecida por Nossa Senhora do Ó. A então vila foi instalada no dia 20 de Setembro de 1762, com o nome de “Vila Caatinguinha” (e não Vila Valença como declaram alguns historiadores valencianos) ao lado esquerdo do córrego (riacho) caatinguinha, primeiro marco da nossa história, hoje totalmente poluído, abandonado e esquecido pelo executivo e legislativo municipal, isto dói e fere nossos sentimentos de patriotismo. Mas, infelizmente, quem é capaz de amar Valença do Piauí para cobrar e denunciar os abusos cometidos em nossa cidade?

Naquela época, primeiro era instalada uma vila, quando já havia uma povoação, como experiência para ver se haveria desenvolvimento, se houvesse, começavam a pensar na criação (emancipação de uma cidade), isso precisava de interesse, crescimento, desenvolvimento e preenchimento dos requisitos para tal. No caso da Vila Caatinguinha, o desenvolvimento e o crescimento se deu lentamente, tal qual a cidade de Valença do Piauí hoje. Tudo aqui acontece lentamente, porque os homens filhos desta terra têm pouca visão e de igual modo, pouco interesse no desenvolvimento, de modo que a Vila Caatinguinha levou 127 anos (1762-1889), para preencher os requisitos legais a fim de ser organizada em cidade. Isto é uma vergonha! O desenrolar de toda história estarei apresentando detalhadamente, sem deixar nada de fora, no meu livro. Que traz o titulo: “Valença do Piauí, origem, vida, passado, presente e futuro”. O qual lançarei em 30 de Dezembro de 2010.

A partir daí, começa então a construção de algumas choupanas pelos índios aruaques (aroazes), habitantes daquela povoação. Dão início também a construção de uma enorme capela em frente a um cemitério indígena (segundo marco histórico de nossa cidade), que anos mais tarde abrigaria a imagem negra africana de São Benedito, de propriedade dos escravos trazidos para a região, onde passaram a residir em uma aldeia a 2 léguas da Vila Caatinguinha, hoje povoado Fumal, para o plantio de café e como não deu certo a cultura cafeeira, devido a terra  e o clima ser impróprio, passaram a cultivar fumo.

Por força da lei provinciana Nº 52 de 5 de Setembro de 1836, a sede da freguesia das missões dos aroazes, ou melhor, Nossa Senhora da Conceição dos Aroazes, foi transferida para a Vila Caatinguinha, tendo em vista que a então vila ia crescendo (mesmo lentamente) e se tornando mais importante. Em 1727 a construção do templo de pedras iniciado pelos índios já expulsos pelos padres jesuítas, foi concluído pelos escravos, sendo reformado, perdendo parte de sua beleza, inclusive a torre, em 1840, com um formato bem diferente. Em 30 de Dezembro de 1889, a Vila Caatinguinha, por obedecer as normas legais e atender todos os requisitos exigidos por lei, foi organizada, isto é, emancipada em cidade, perde o nome de origem e passa a ser chamada de Valença, em homenagem ao Governador Provincial João Pereira Caldas, natural de Valença-Portugal.

Na ocasião de sua emancipação política, a nova cidade de Valença constava em sua sede, 339 casas com 156 habitantes e em toda a freguesia de nossa Senhora do Ó, havia 259 habitantes e 206 foros.. A cidade constava de um território de uma légua em quadro (6 quilômetros quadrados). Então, no dia 20 de Setembro é legal e justo comemorar o aniversário de 247 anos de instalação da Vila Caatinguinha, sem muita importância e não da cidade de Valença, porque o aniversário  oficial, certo e correto de Valença  deverá se comemorado no dia 30 de Dezembro, dia da sua emancipação política. É isto que deve ser levado a sério.  De modo que no dia 30 de Dezembro deste ano (2009), Valença, com o acréscimo da palavra: do Piauí em seu nome (Valença do Piauí, em 1948), completará 120 anos de emancipação política (organização em cidade). Lamento muito que aqueles que mudaram a data do aniversário de nossa cidade não conheçam a nossa história, isso é uma pena! Porém, a verdadeira historia da Vila Caatinguinha e da cidade de Valença do Piauí, está sendo contada e escrita por um valenciano que ama muito esta terra. Aguardem!

Minha querida Valença do Piauí, infelizmente não posso te homenagear e te parabenizar agora, porque tudo está errado. Farei isto com muito prazer, carinho e amor na data correta, 30 de Dezembro próximo, o dia correto do teu aniversário.

Fonte: Folha Valençana.  

Artigo: João Batista Alves de Carvalho, Professor, escritor e historiador

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1 Comentário

zacarias luz

Caro Professor,

Sendo valenciano gostei bastante da materia revisei a história de minha terra.

Desejaria remeter alguns dados sobre Joaquim Francisco da Luz (Miné),

Grato
Zacarias Luz

21 set, 2009
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