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Jornal Meio Norte: Jornalista homenageia o escritor valenciano Perminio Ásfora

30/06/2010
JORNALISTA CARLOS SAID

JORNALISTA CARLOS SAID

O jornalista e professor Carlos Said (foto) escreveu na edição desta quarta-feira (30) do Jornal Meio Norte um artigo sobre a trajetória do escritor valenciano Perminio Ásfora. O portalv1 reproduz na integra o artigo do jornalista que é conhecido pelo nome Mago de Aço. Confira o artigo: O formidável Permínio Carvalho Ásfora (Valença do Piauí, 1893-Rio de Janeiro, 2001), premiado pela crítica nacional (dos sete romances publicados, três receberam premiação incomum), continua desconhecido em sua própria terra natal. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade do Recife, 1941, passando logo a escrever nos principais jornais pernambucanos: Folha do Povo. E .Jornal do Comércio.. Político, eleito prefeito da cidade paraibana de Pilar, 1942. Em 1951, fixou residência definitiva no Rio de Janeiro e, no jornal .Última Hora., transformou-se em comentarista político mas não esqueceu de agir como .Tabelião Público. (reconhecedor) de assinaturas, fazendo ou registrando escrituras e outros documentos) na chamada.cidade maravilhosa.

Tanto escreveu que abusou do jornalismo sério com diversas facetas literárias. Através do romance .Noite Grande.1947, suscitou polêmicas com vertentes de ingratidão. Perseguido tenazmente por ter denunciado o clientelismo político instalado no país, jamais tergiversou diante de suas convicções.

A verdade é que nas tentativas feitas pelos críticos de sua época, intuito para compreendê-lo em toda a sua extensão cultural, o escritor piauiense desenvolveu a história romanceada intitulada .Sapê., 1940. Essa estréia literária foi usurpada pela insuportável polícia de Felinto Müller (morto em trágico acidente aéreo nos arredores do aeroporto de Orly, Paris, França, nos anos 80), entidade perseguidora de intelectuais enquanto durou o regime ditatorial de Getúlio Vargas (Getúlio Dornelles Vargas: São Borja, Rio Grande do Sul, 1883-Rio de Janeiro, 1954), no chamado .Estado Novo.: (1937-1945). .Sapê. recebeu interdição pelo Departamento de Imprensa e Propaganda . DIP, 1940, órgão que censurava a intelectualidade brasileira. Após .Sapê. Noite Grande., mais obras literárias surgiram: .Fogo Verde., 1952; .Vento Nordeste., 1957; .O Amigo Lourenço. 1962; .Bloqueio., 1972; e .Eminente Senador 1976.

A falecida escritora cearense Raquel de Queirós: Fortaleza, Ceará, 1910-1998 ?), classificou o literato piauiense à frente de muitos romancistas brasileiros e situado ao lado dos fenomenais José Lins do Rêgo (Pilar, Paraíba,1901-Rio de Janeiro, 1957) e Graciliano Ramos (Quebrângulo, Alagoas, 1892-Rio de Janeiro, 1953), dois monstros sagrados do romance histórico tracejando personagens, hábitos e costumes nordestinos (intuindo sempre a economia estabelecida entre os sertões e as cidades com reflexos nas regiões mais desenvolvidas do Brasil). Assim, Raquel de Queirós buscou a seguinte afirmação: Permínio Ásfora, em suas obras, apontou defeitos morais e sociais do Nordeste. As personagens mais íntimas do escritor são taxadas párias (pessoas excluídas da sociedade) da grande região nordestina.

Quando Voltaire (escritor e filósofo, pseud ônimo de François-Marie Aronet: Paris, França, 1694-1778) acrescentou ao seu valioso trabalho literário: .se queres conversar comigo, define tuas palavras., eis que Herculano de Moraes (Herculano de Moraes Silva Filho: São Raimundo Nonato, Piauí, 1945) esclareceu o que foi o romance ideológico de Permínio Carvalho Ásfora: .desenvolveu, quase sempre, política, onde os fortes geralmente comandam os fracos. Do proibitivo .Sapê. interditado pela violenta e cruel polícia do tempo da ditadura getulista até a sétima obra literária: .O Eminente Senador., 1973, Permínio Ásfora foi reconhecido pelo escritor brasileiro Hilário Henrique Dick no livro da edição sulina de 1970.

A Cosmovisão do Romance Nordestino Moderno. O autor pretendeu premiar o Piauí. Afirmou que o romancista seria entendido com alguma influência em sua terra natal e no próprio nordeste brasileiro. Para não ser esquecido. Adiantou Hilário Dick com perspicácia: .Os sete livros que Permínio deixou para os críticos, palavras contidas em milhares de páginas, apresentam uma invejável posição dentro do chamado .romance de província. Para poucos piauienses em silêncio e paz, melhor relembrarmos que ásfora. Significa célula reprodutora capaz de germinar. Portanto, eis a razão da grandeza liter ária do ilustre piauiense Permínio Carvalho Asfora

CARLOS SAID

JORNALISTA E PROFESSOR

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