Valença do Piauí, 22 de jan, 2026

Justiça nega recurso e mantém expulsão de PM acusado de matar namorada

Alisson Watsson da Silva

Por unanimidade, o Pleno do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) decidiu manter a expulsão do ex-capitão Alisson Watsson da Silva Nascimento da Polícia Militar do Piauí (PM-PI), durante julgamento na manhã desta segunda-feira (05/08). Para o Ministério Público do Piauí (MP-PI), ele é acusado de matar a estudante Camilla Abreu com um tiro na cabeça, em outubro de 2017, após uma crise de ciúmes.

A decisão de hoje vai de encontro à assinatura da então governadora em exercício Regina Sousa, quando, em 08 de março deste ano, assinou a expulsão do então PM da corporação militar. Alisson perdeu a prerrogativa de aguardar o processo no presídio militar, deixou de receber o salário de R$ 9 mil e foi transferido para uma unidade prisional comum. O relator deste julgamento é o desembargador José Francisco Nascimento.

A audiência começou pouco depois das 11h, em uma votação rápida e unânime, contando com a presença de todos os desembargadores. A defesa alegava que a expulsão não poderia acontecer enquanto o processo criminal não tivesse transitado e julgado, em relação aos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e de provas. “Eles [desembargadores] entenderam de forma diferente e mantiveram a decisão, conforme outras decisões em tribunais superiores e julgadas em outros tribunais”, disse Ravenna Castro, advogada assistente de acusação.

Jean Abreu, pai da vítima, acompanhou o julgamento do início ao fim. “O resultado era o que a minha família e todas as outras de vítimas de violência contra a mulher e o feminicídio. Tenho que agradecer só a Deus e a todos que nos acompanham”, desabafou. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o promotor Benigno Filho nem informações sobre quem seria o atual defensor do ex-PM.

MANUTENÇÃO DO JÚRI POPULAR

No dia 17 de abril, Alisson sofreu uma derrota no TJ-PI, pois três desembargadores decidiram que o júri popular seja mantido no processo criminal. Na prática, isso pode facilitar a condenação e endurecer o cumprimento da pena. Na época, o advogado Pitágoras Veloso confirmou que recorreria ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e também ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das principais reclamações da defesa de Alisson Wattson diz respeito à negativa do Ministério Público do Piauí (PM-PI) e da Justiça em fazer a reconstituição do crime, pois assim, segundo Pitágoras, seria comprovado que o tiro contra Camilla Abreu foi acidental. Nesta versão, o advogado defende que a vítima iniciou a discussão com o réu e que ela apontou ela tentou baleá-lo primeiro. Ainda há a alegação de que o réu sofre de problemas mentais.

RELEMBRE O CASO

Camilla Abreu foi dada como desaparecida na última semana do mês de outubro de 2017. A estudante de Direito foi vista pela última vez no bar Chopperia Brahma, ao lado do namorado Alisson Wattson e de uma amiga, na zona Leste de Teresina. O réu e a vítima levaram a amiga para casa, no Vale do Gavião, e depois saíram juntos. A jovem não retornou para casa.

Após desaparecimento de uma semana, Camilla Abreu foi encontrada morta no povoado Mucuim, zona Rural de Teresina. Alisson confessou ter disparado acidentalmente contra a estudante, no dia 31 daquele mês.

Fonte: oitoemeia

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