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“Não fui eu”, diz suspeito de estupro de jovens em Castelo

31/05/2015

crimeO principal suspeito dos estupros contra quatro jovens em Castelo do Piauí (190 Km de Teresina) Adão José da Silva Sousa, de 40 anos, declarou ser inocente e que a perícia científica vai provar que ele não tem relação com o caso. Contudo, o delegado Laércio Evangelista disse que foi encontrada na casa dos pais de Adão uma bermuda com vestígios de sêmen e sangue. Preso na noite da última sexta-feira (29), Adão foi apresentado em coletiva de imprensa na sede da Secretaria de Segurança Pública, em Teresina, neste sábado (30).

“Não fui eu. Eu não estuprei. Nem sei quem são essas crianças, nem esses meninos. Tenho fé que vocês vão pegar quem fez isso. Quando fizerem o exame (DNA) vocês vão ver, podem fazer exame de sangue que vão saber que não fui eu”, afirmou o suspeito.

Ele declarou ainda que fugiu de Castelo do Piauí no sábado (23), quatro dias antes do crime, por ter participado do assalto a um posto de combustível. A Polícia informou que ele cumpriu pena por assalto e tráfico de drogas durante 13 anos no Estado de São Paulo, onde morou por 20 anos.

No Piauí, ele tem mandado de prisão em aberto por tráfico, assalto e tentativa de latrocínio. Ele chegou a comentar sobre o crime na Sede da Secretaria de Segurança.

“Eu não queria atirar na gerente do posto, mas ela colocou o carro pra cima de mim e a arma disparou, mas não era minha intenção acertar ninguém. Eu fugi por causa disso, porque participei do assalto”, declarou.

De acordo com o gerente de policiamento do interior, delegado Willame Moraes, o crime não foi premeditado e as meninas estavam “no lugar errado e na hora errada”.

“Não existe motivo para isso, não há o que justifique. O que sabemos é que não foi premeditado, eles estavam escondidos no morro [do Garrote] e as meninas chegaram para fazer fotos para um trabalho da escola. Essa versão é dada pelos familiares das meninas e pelos menores envolvidos no crime”, informou.

Participação no crime

Apesar das negativas e de alegar inocência, a polícia diz não ter dúvidas de que ele tenha participado ativamente do crime bárbaro. Além das provas, os quatro menores suspeitos já apreendidos deram, em depoimento, a mesma versão para a participação do suspeito.

De acordo com o delegado Laércio Evangelista, de Campo Maior, a bermuda encontrada pela polícia foi localizada na casa dos pais de Adão. Outro ponto que relaciona o suspeito ao crime é que ele mesmo relata ser líder do tráfico na região e que “talvez” tenha vendido drogas, no dia do crime, para os menores envolvidos.

“Eu não sei quem comprou droga na minha mão. Eu não lembro porque eu vendo pra muita gente. Talvez tenham sido eles”, completou Adão.

O delegado geral de Polícia Civil, Riedel Batista, declarou que não há dúvidas para a Polícia de que Adão tem participação no crime.

“Todos os menores envolvidos confessaram e indicaram Adão como participante, para a Polícia não há dúvidas e há fartas provas do envolvimento dele. Um dos menores detalhou tudo o que o grupo fez e como abordou. O Adão tinha uma faca que usou para ameaçar as garotas e de forma bastante cruel cometeu o crime”, acrescentou o delegado.

O Secretário de Segurança, Fábio Abreu, informou que todas as meninas sofreram violência sexual e, disse ainda, que os cinco suspeitos, incluindo adão, participaram dos estupros. Adão vai responder pelos crimes de estupro, lesão corporal, tortura, tentativa de homicídio e, caso fique comprovada a  sua influência sobre a ação dos quatro adolescentes, pode ser acusado também de cooptar menores.

“Além deste crime, ele mesmo confessa que é traficante na região e provavelmente utilizava menores para participar dos seus delitos. Com as provas reunidas, ele pode responder por isso também”, informou.

Entenda o caso
O crime bárbaro chocou a população da cidade de Castelo do Piauí, a 190 Km de Teresina. Quatro adolescentes foram brutalmente agredidas, estupradas e depois amarradas na quarta-feira (27).

De acordo com as polícias civil e militar, as garotas teriam saído para tirar fotos em um ponto turístico distante alguns quilômetros da zona urbana, quando foram rendidas por cinco pessoas. Logo após o crime a polícia apreendeu quatro menores, sendo que dois dos deles confessaram o crime e contaram, em depoimento, os detalhes sobre a ação criminosa.

As vítimas, duas garotas de 17 anos, uma de 16 e outra de apenas 15 anos foram encontradas algumas horas depois do crime e foram levadas ao hospital de Castelo e logo depois transferidas para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Uma delas está em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva com traumatismo craniano.

 

Na cidade o clima é de revolta. Vários populares se aglomeraram na porta da delegacia ainda na noite de quarta-feira e chegaram a atear fogo em pneus em protesto pela falta de segurança.

Nesta sexta-feira (29), os moradores do município se reuniram em uma caminhada solidária às vítimas e contra a violência que chocou a cidade. Durante a caminhada, a população vestia branco, levava cartazes e pedia paz.

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