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TCE bloqueia contas e confere verba em cofre de 55 prefeituras

22/11/2012

Jailson Campelo

Auditores do Tribunal de Contas do Estado do Piauí – TCE-PI -, acompanhados de promotores do Ministério Público, iniciam nesta quinta-feira (22) auditorias em 55 prefeituras. Todas declararam ter mais de R$ 100 mil guardados em cofre, ao invés de depositados em contas bancárias, o que levantou a suspeita de desvio de recursos públicos. Em sete municípios, o valor superaria R$ 1 milhão.

Em entrevista no Jornal Cidade Verde desta quarta-feira, o conselheiro substituto do TCE Jailson Campelo informou que todos os cofres serão verificados. Caso o dinheiro esteja mesmo guardado na prefeitura, o mesmo deverá ser depositado imediatamente no banco. Se o dinheiro não estiver lá, o promotor pode ingressar com ação de improbidade administrativa, pedindo afastamento do gestor do cargo.

“Uma prefeitura que diz ter R$ 3,3 milhões em caixa, por exemplo, terá que demonstrar que esse dinheiro está lá. Se estiver, tem que depositar imediatamente na instituição bancária. Se não estiver, vai ser chamado a devolver imediatamente esses recursos aos cofres públicos”, reforça Jailson Campelo.

Ao Cidadeverde.com, Jailson Campelo acrescentou que o TCE bloqueou todas as contas das prefeituras investigadas. A intenção é evitar que o dinheiro seja sacado de outros convênios para compensar o suposto rombo no cofre do município. “Eles não vão ter onde pegar esse dinheiro”, diz o conselheiro substituto.

O limite, segundo o TCE, é de R$ 20 mil guardados no cofre da prefeitura e o resto dos valores depositados em conta. Mas 55 municípios apresentam até cinco vezes mais que esse valor. Desses, sete alegam ter mais de R$ 1 milhão. São eles: Monte Alegre do Piauí (R$ 3,3 milhões), Cocal de Telha (R$ 2,7 mi), Itaueira (R$ 1,5 mi), Jaicós (R$ 1,4 mi), Barreiras do Piauí (R$ 1,3 mi), Pimenteiras (R$ 1,1 mi) e Coivaras (R$ 1 mi).

“A primeira conclusão a qual a gente chega, apesar de uma análise superficial, é de que esse dinheiro não existe. Esses recursos são sacados das contas bancárias para aplicações que não são públicas e o saldo vai se acumulando. É como se o dinheiro estivesse na prefeitura, mas não é. É inverossímel ter mais de R$ 3 milhões na tesouraria até por questões de segurança”, explica Jailson Campelo, preocupado com o número de prefeituras sob suspeita – um quarto do Estado.

“O temor que nós temos é de que esses recursos sejam desviados. Com essa ação, quem ganha é a sociedade”, finaliza Campelo.

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