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VALENÇA – E NÃO HÁ QUE SE PROCURAREM CULPADOS, SOMOS NÓS MESMOS!

25/03/2009

As mudanças socioeconômicas e políticas nas ultimas décadas no Piauí em particular, operaram transformações positivas no Estado, mas, em algumas cidades estas alterações não aconteceram, a exemplo encontramos Valença, aqui houve o inverso, um declínio, um retrocesso se contrapondo aos fundamentos do desenvolvimento do Estado, passando a nossa cidade da posição de destaque, líder da Confederação Valenciana para uma conjuntura subalterna no ponto de vista econômico e social, perdendo a liderança em PIB, renda per capita e ainda diminuindo o índice de desenvolvimento humano – IDH para outras cidades da própria região valenciana, conforme escreveu sobre o tema o abalizado economista e Professor Mauricio Boa Vista. O fato é que para esta situação de decadência só há uma causa concreta, palpável ao nosso entendimento, o aniquilamento das lideranças valencianas do cenário político administrativo do Estado.  A partir do final da década de oitenta, princípio de noventa até os dias atuais foi um holocausto, as alterações foram tão radicais que a cidade praticamente liquidou-se na sua importância, desde então não constou mais dentre seus filhos ninguém com cacife para assumir alguma posição de proeminência em qualquer dos níveis de governo e menos ainda  quem tenha sido eleito para algum cargo político estadual ou federal. Os políticos tradicionais valencianos, Portella Nunes, Castro, Martins, Veloso, Lima Verde e outros, perderam espaço político por omissão e em conseqüência foram literalmente aniquilados do cenário. Hoje, a maioria destas famílias que foram habituadas a terem seus representantes nos parlamentos federal e estadual, no poder executivo do Município e até do Estado, sentem dificuldades até para eleger um representante para a Câmara de vereadores, a maioria até que tenta, mas em regra é literalmente abatida pelas urnas. Foi assim nos últimos pleitos, tanto é verdade que na eleição passada dos três nomes das chamadas famílias tradicionais que disputaram vaga para a Câmara Municipal, apenas Ielva Melão Veloso conseguiu se eleger. Henrique Martins e Joaquim Lima Verde Neto, descendentes das principais famílias da política valenciana foram impiedosamente humilhados com derrotas acachapantes. Falta de valor ou de serviços prestados por eles? Claro que não, são pessoas de importância, com relevantes serviços prestados à comunidade, ocorre que neste cenário em que a moeda de troca não é a capacidade de representar, e sim  outros valores, perderam eles e perderiam tantos quantos ousassem enfrentar a máquina ou contrariar o poder econômico com as “mãos abanando”. Bem verdade que essa nossa geração foi habituada a ver a nossa terra grande, importante centro político do Estado, com representações regionais praticamente de todos os órgãos. Invariavelmente quando algo de novo surgia para se instalar ou a se construir, lá estava Valença figurando dentre as candidatas disputando ao lado das principais cidades do Piauí. A nossa  Valença que sempre esteve representada no Parlamento Estadual, desde Zeca de Castro na década de 30, até Djalma Veloso nosso ultimo deputado, numa seqüência ininterrupta de valencianos que ocuparam a Assembléia em seguidas legislaturas, há trinta e cinco anos não manda um deputado para o Parlamento Estadual. Em alguns momentos tivemos até três  na mesma legislatura e em 40 anos tivemos três senadores e três governadores. A história está aí para contar, na eleição de José da Rocha Furtado para o governo em 1947, redemocratização do País, o município elegeu dois deputados, Agenor Veloso e Alcides Nunes. Dali em diante, até o final do mandato do valenciano Lucídio Portella no inicio de 90, jamais a nossa cidade deixou de ter um político de destaque na política do Piauí e do Brasil, seja no Poder Executivo, na Assembléia Legislativa ou no Congresso Nacional. De 1962 quando Petrônio assumiu o governo eleito  pelas Oposições Coligadas, até o final do mandato de Lucídio no senado, foram três senadores da república, três governadores de Estado, dois prefeitos de Teresina ( Petrônio e Inácio Soares) e pelo menos uma dezena de deputados. Tínhamos políticos em todos os níveis, os irmãos Petrônio, Lucídio e Elói Portella foram senadores, os dois primeiros também governadores e Petrônio além de deputado estadual foi também prefeito de Teresina. Djalma Veloso deputado estadual cinco mandatos consecutivos, vice-governador e governador, os filhos de Abdon Portella Nunes, Alcides, José Nunes e Abdon Nunes representaram a cidade em cinco ou seis legislaturas, inclusive o próprio patriarca Abdon Portella foi deputado estadual. Tivemos ainda Benoni Portella e Antonino Soares eleitos deputados estaduais, além de vários Secretários de Estado, Diretores de  importantes órgãos, pessoas que bem representaram o valor da gente valenciana no cenário administrativo do Piauí. E foi nesta paisagem de relevo que praticamente passaram quatro ou cinco gerações, sempre tendo um governador, um senador ou até três deputados na Assembléia. No Legislativo Estadual o ultimo a ocupar mandato foi Djalma Veloso, de lá pra cá já se passaram 35 anos, nove legislaturas sem que o povo valenciano elegesse um representante, sempre votando em alguém de outras terras, deles sem qualquer compromisso com a nossa região, recebem os votos e vão-se embora. Infelizmente é com esta mesma visão que estamos vislumbrando 2010. Não há como negar, é um processo de desestruturação de nossa vida política que não tem data para terminar, não há por aqui pessoas com conta bancária e disposição para entrar numa aventura eleitoral, sobretudo se já conhecemos o comprometimento das lideranças maiores da cidade com políticos que pouco ou quase nada têm de serviços prestados. Ao longo destas três décadas aprendemos a ficar acovardados diante do enxerimento de alguns que foram entrando e ficando e está aí cimentado, definido, estruturado este mapa para não se ter alguém na política estadual. E não há que se procurarem culpados, somos nós mesmos!

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2 Comentários

  1. Bebeto em 26/03/2009 às 21:42

    O certo é que o povo de Valença e toda região Valenciana terá que promover jovens políticos que tenha coragem de devender esta região, mesmo que não seja da cidade, mas que seja da região, como Elesbão Veloso,Inhuma e outras. Veja que temos filho da região com poder de fogo para enfrentar este desafio.

  2. francisco otavio em 03/12/2010 às 09:44

    E necessário que o povo desta terra tenha mais consiencia politica e saiba escolher melhor seus representantes. Pois a cidade esta se acabando por descaso e falta de planejamento e politicos sem compromisso com a sua cidade.
    Mas com a eleiçaõ de politicos jovens surge uma luz no fim do túnel. Ainda exsite esperança para esta regiao basta investimentos em educação.

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